sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ministro da Justiça chama Polícia Federal e sindicatos para negociar

Com o objetivo de evitar que a ameaça de uma nova greve se concretize na Polícia Federal (PF), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pretende se reunir com o diretor-geral da PF, Leandro Coimbra, e com os sindicatos de categorias de servidores do órgão no próximo dia 19, às 17h. O anúncio foi feito ontem por Marcelo Veiga, assessor do ministro, durante audiência pública da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público para discutir a reestruturação das carreiras da Polícia Federal.  
Os agentes, escrivães e papiloscopistas, que somam nove mil servidores e realizaram uma greve de 69 dias recentemente, pretendem fazer nova paralisação se não forem atendidos nas suas reivindicações. Segundo o deputado Luiz Couto (PT-PB), há uma necessidade urgente de se discutir a reestruturação da carreira da Polícia Federal para a melhoria das suas condições de trabalho e, consequentemente, para o aprimoramento do bom trabalho que a instituição vem fazendo nos últimos anos.
“A Polícia Federal está fazendo um trabalho republicano e necessário. É importante que essa comissão coloque em debate a questão da Lei Orgânica da Polícia Federal, do plano de cargos e salários da Polícia Federal e do pagamento aos agentes e peritos que trabalham como nível superior e não recebem como nível superior”, ressaltou o deputado.
Durante a audiência, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Marcos Wink, afirmou que as três categorias são as únicas entre as integrantes das carreiras típicas de estado que recebem salários de nível médio, apesar de terem nível superior. Ele também afirmou que as condições de trabalho são precárias, principalmente nas regiões de fronteira.
Segundo Wink, a luta da sua entidade é regular em lei as atribuições que os policiais exercem hoje. “Portaria não cria cargo nem atribuição”, disse. “É tão simples de resolver, e por que não se resolve? O Congresso não pode, pois a iniciativa é do Executivo. O Ministério do Planejamento não resolve, pois depende do Ministério da Justiça. O ministério não resolve, porque a direção da Polícia Federal não autoriza. A direção não aceita, porque os delegados não aceitam. Os delegados se apropriaram da Polícia Federal, ocuparam todos os cargos, mas quem faz todo o planejamento são esses agentes que estão aqui”, afirmou.
O sindicalista lembrou que os agentes já chegaram a ganhar o mesmo que delegados, “nem por isso havia problemas de hierarquia”. Segundo Wink, atualmente, o salário bruto inicial na Polícia Federal é de R$ 7.500,00, e o mais alto, no fim de carreira, é de R$ 11.500,00.
Agência Câmara com PT na Câmara

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Luíza Gomes