sábado, 30 de junho de 2012

O construtor de pontes

"Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira;" (Efésios 4:26)

Conta-se que, certa vez, dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito.  
 
Foi a primeira grande desavença em toda uma vida trabalhando lado a lado, repartindo as ferramentas e cuidando um do outro.  
 
Durante anos eles percorreram uma estrada estreita e muito comprida, que seguia ao longo do rio para, ao final de cada dia, poder atravessá-lo e desfrutar um da companhia do outro. Apesar do cansaço, faziam a caminhada com prazer, pois se amavam.  
 
Mas agora tudo havia mudado.
O que começara com um pequeno mal entendido finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio.  
 
Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem na sua porta.
Ao abri-la notou um homem com uma caixa de ferramentas de carpinteiro na mão.
 
Estou procurando trabalho- disse ele. 
Talvez você tenha um pequeno serviço que eu possa executar.   Sim! - disse o fazendeiro - claro que tenho trabalho para você. Veja aquela fazenda além do riacho. É do meu vizinho. Na realidade, meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira perto do celeiro? Quero que você construa uma cerca bem alta ao longo do rio para que eu não precise mais vê-lo.  
 

Acho que entendo a situação - disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão a pá e os pregos que certamente farei um trabalho que lhe deixará satisfeito.   
Como precisava ir à cidade, o irmão mais velho ajudou o carpinteiro a encontrar o material e partiu.  
 
O homem trabalhou arduamente durante todo aquele dia medindo, cortando e pregando. Já anoitecia quando terminou sua obra.  
 
O fazendeiro chegou da sua viagem e seus olhos não podiam acreditar no que viam. Não havia qualquer cerca!  
 
Em vez da cerca havia uma ponte que ligava as duas margens do riacho.  
 
Era realmente um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido e falou:
Você foi muito atrevido construindo essa ponte após tudo que lhe contei.   
No entanto, as surpresas não haviam terminado. 
 
Ao olhar novamente para a ponte, viu seu irmão aproximando-se da outra margem, correndo com os braços abertos.  
 
Por um instante permaneceu imóvel de seu lado do rio.
Mas, de repente, num só impulso, correu na direção do outro e abraçaram-se chorando no meio da ponte.  
 
O carpinteiro estava partindo com sua caixa de ferramentas quando o irmão que o contratou pediu-lhe emocionado:

Espere! Fique conosco mais alguns dias. 
E o carpinteiro respondeu:

Eu adoraria ficar, mas, infelizmente, tenho muitas outras pontes para construir. 
 
E você, está precisando de um carpinteiro, ou é capaz de construir sua própria ponte para se aproximar daqueles com os quais rompeu contato?  
  
As pessoas que estão ao seu lado, não estão aí por acaso.  
 
Há uma razão muito especial para elas fazerem parte do seu círculo de relação.  
 
Por isso, não busque isolar-se construindo cercas que separam e infelicitam os seres.  
 
Construa pontes e busque caminhar na direção daqueles que, por ventura, estejam distanciados de você.  
 
E se a ponte da relação está um pouco frágil, ou balançando por causa dos ventos da discórdia, fortaleça-a com os laços do entendimento e da verdadeira amizade.  
 
Agindo assim, você suprirá suas carências afetivas e encontrará a paz íntima que tanto deseja.



sábado, 23 de junho de 2012

"Eu vejo o Deus que me vê!"

"PLEITEIA, SENHOR, com aqueles que pleiteiam comigo; peleja contra os que pelejam contra mim." (Salmos 35.1)



Uma das cenas mais comoventes do filme "Contador de Histórias" (Forrest Gump), foi quando Jenny, a namorada de Forest, voltou depois de longos anos envolvida no submundo de drogas e os dois passaram pela casa onde ela foi criada... 
se é que se pode dizer que ela foi criada.
Porque ela sofreu todo tipo de violência nas mãos do pai.

Quando ela vê o barraco, agora já adulta, fica totalmente abalada e todas as lembranças da infância horrorosa voltam à mente. 
Ela abaixa e pega uma pedra e a joga, com todas as forças, na direção da casa.

Ela acerta uma janela que se desfaz em mil pedaços.
Depois ela pega outra, e depois outra...
Ela joga todas as pedras perto dela e depois cai no chão chorando. 

Forrest disse a ela: 

- "Às vezes não há pedra suficiente"
.

As vezes o sofrimento é tanto, que nada há que podemos fazer para alivia-lo, nem a vingança, nem toda nossa raiva resolvem a dor.

Quando sofremos, estamos magoados, e queremos jogar todas as pedras do mundo contra "aquele barraco" onde sofremos.

Pode ser uma pessoa, uma coisa, uma memória, mas como no caso de Jenny, nunca há pedra suficiente para derrubar o 
barraco do sofrimento.

De fato,  o único resultado do esforço de jogar pedras, é que caímos no chão chorando.
Desesperados, destruídos por dentro diante da injustiça praticada conosco e a única vontade que nós temos é de encher as nossas mãos de pedras e jogar nos algozes da nossa esperança? 

Para que pegar pedras se eu tenho um Deus vivo que me vê?

Para que atirar pedras se Deus transforma minhas perdas em ganho?

Sim ele transforma as nossas perdas em ganho.
As derrotas em triunfo. 
As humilhações em honra.

Para que atirar pedras se Deus está presente em todos os momentos de nossa vida? 

Deus está dizendo: 

- "Estou aqui - estou presente."

Pode ser que você também se sinta assim, mas pode ter certeza que Deus virá a você e perguntará:
- "O que há de errado? Eu estou aqui." 
E com esta promessa, quem precisa de qualquer pedra na mão?

Para que atirar pedras se Deus tem nos dado uma missão em nossas mãos?

As pedras não são solução, são uma fuga.
Não podemos abandonar tudo, e esquecer-nos do mundo a nossa volta quando estamos sofrendo. 
Deus não nos dá licença para curtirmos nossa dor e esquecer-nos das nossas responsabilidades .

Para que atirar pedras se Deus já tem suprido a vitória?

Muitas vezes tudo que precisamos está bem perto de nós, mas não conseguimos ver a bênção, o milagre a solução dos problemas, porque as lágrimas do desespero, o choro do ressentimento não nos deixa ver aquilo que Deus fez por nós. 
Não há pedra suficiente, neste mundo, para aliviar sua dor.
Mas ele nos disse: 

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". Mateus 11.28

Agora, com suas pedras no chão, use-as para construir um altar. 
Encontre o Deus verdadeiro, receba seu conforto e diga,

- "Eu vejo o Deus que me vê!" 



segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Cantar do Galo

"Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." (Lucas 14.11)





Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada do galinheiro:

Vou cantar para fazer o sol nascer…

Ato contínuo subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e cantava seu belo canto!

E ficava esperando.

Dali a pouco a bola vermelha começava a aparecer, até que se mostrava toda, acima das montanhas, iluminando tudo.

O galo se voltava, orgulhoso, para os bichos e dizia:

Eu não falei?

E todos ficavam boquiabertos e respeitosos ante o poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar para fazer o sol nascer.

Ninguém duvidava. Tinha sido sempre assim.

Havia grande ansiedade entre os moradores do galinheiro. 
E se o galo ficasse rouco? 
E se esquecesse da partitura? 
Quem cantaria para fazer o sol nascer? 
O dia não amanheceria? 
E por causa disso cuidavam do galo com o maior cuidado. 
Ele, sabendo disso, sempre ameaçava a bicharada, para ser mais bem tratado.

Olha que eu enrouqueço! – dizia.

E todos se punham a correr, para satisfazer as suas vontades.

O galo, por sua vez, tinha enormes oscilações emocionais. 
Pela manhã, depois de o sol nascer, sentia-se como um deus, onipotente e admirado e não era para menos. 
Mas à noite vinham a depressão e a ansiedade.

Não posso perder a hora, dizia. Se eu não cantar, o sol não vai nascer. E não conseguia dormir um sono tranquilo.

Isto, na verdade, acontece com todas as pessoas que se acham poderosas assim. Paira sempre sobre elas a ameaça de fim do mundo.

Aconteceu, como era inevitável, que certa madrugada o galo perdeu a hora. 
Não cantou para fazer o sol nascer. 
E o sol nasceu sem o seu canto. 
O galo acordou com o rebuliço no galinheiro. 
Todos falavam ao mesmo tempo.

O sol nasceu sem o galo… O sol nasceu sem o galo…

O pobre do galo não podia acreditar naquilo que seus olhos viam: a enorme bola vermelha, lá no alto da montanha. Como era possível? 
Teve um ataque de depressão ao descobrir que o seu canto não era tão poderoso como sempre pensara. 
E a vergonha era muita.

Os bichos, por seu lado, ficaram felicíssimos. 
Descobriram que não precisavam do galo para que o sol nascesse. 
O sol nascia de qualquer forma, com o galo ou sem o galo.

Passou-se muito tempo sem que se ouvisse o cantar do galo, pois estava deprimido e humilhado. 
O que era uma pena: porque é tão bonito. 
Canto de galo e sol nascente combinam tanto. 
Parece que nasceram um para o outro.

Até que, numa bela manhã, o galinheiro foi despertado de novo com o canto do galo. 
Lá estava ele, como sempre, no alto do telhado, peito estufado.

Está cantando para fazer o sol nascer? – perguntou o peru em meio a uma gargalhada.

Não, – respondeu o galo. Antes, quando eu cantava para fazer o sol  nascer, eu era doido varrido. Mas agora eu canto porque o sol vai nascer. O canto é o mesmo. E eu virei poeta… 

Adaptação da fábula contada por Rubem Alves

Enviado para o meu correio eletrônico pelo grupo Amigos de Deus.





Luíza Gomes